quarta-feira, agosto 19, 2009

Como estudávamos (ou não estudávamos) em nossa época

Já havia escrito há alguns anos neste mesmo blog sobre o ambiente sócio-cultural do início e meados dos anos 90 - desculpem, não tenho paciência de procurar, mas acho que foi em 2004 mesmo - e acho que seria uma boa hora de falar menos sobre o mundão pré- torres gêmeas e mais sobre a nossa rotina diária e cotidiana do dia-a-dia estudantil. Vamos por tópicos:

Salas de aula: carteiras de um braço só - coitados dos canhotos - na maioria das salas, quadro negro mofado, giz, ventilador barulhento e sala com tacos soltando. Apesar da descrição macabra, o ambiente das salas era bom. Nos blocos A e B, perto do pátio bem arborizado, havia um misto de tranquilidade e nostalgia já que aquela arquitetura da década de 30 nos fazia lembrar de tempos melhores que não vivemos. Nos blocos C e E, as salas pareciam mais bem pensadas e cuidadas, embora a claridade fosse excessiva de manhã.

Laboratórios: o de eletrônica, vide post anterior. Os de química, física e biologia, bons apesar da falta de conservação. Não gostava muito das aulas de laboratório, mas hoje admito a falta que faziam.

Provas: Ainda haviam resquícios do tempo dos mimeógrafos. Era possível ficar doidão cheirando uma prova de matemática, mas isso era excessão. Quase todas eram impressas e sem recursos anti-cola, como ainda devem ser

Muito prazer: sou um mimeógrafo e exalo forte cheiro de álcool!

Trabalhos: Internet? Esqueça! A biblioteca era importantíssima e fundamental em nossos trabalhos de pesquisa. Tudo à moda antiga mesmo para aqueles tempos: arquivos cheios de fichinhas, cujos dados anotávamos, esperando para manusear o livro. E a entrega do trabalho? Era num negócio listrado esquisito chamado "papel almaço". Raros eram os trabalhos entregues impressos, pelo menos no início do curso.

Matando aula: O jaleco nos dava o poder de bundear por qualquer bairro livremente, mas a comodidade nos levava a cabular aulas nas proximidades da escola. Os bares (leia-se Ceará), lanchonetes, fliperamas e cantinas da região viviam salpicados de alunos do Cefet. A ampla área construída do próprio centro também era opção de lazer para quem tinha "turminhas" em outros cursos ou séries. Este item em particular pode virar outro tópico, pois foi bem interessante relembrá-lo!

Voltando pra casa: Tha big Jalecko power permitia que voltássemos gratuitamente em relativa segurança, mas na época, os motoristas de ônibus nos desprezavam e era muito comum saber de brigas entre colegas de escola e os adoráveis e fofos condutores.

Gustavo Moore provavelmente não saberia voltar a estudar como na época do CEFET. Nem antes!... tá... nem depois também...