quarta-feira, agosto 10, 2005

ABÚUUPE!!! RÓOORIUQUE!!!

Esses foram os sons que eu mais ouvi em meus anos de CEFET. Aos 13 anos de idade, antes de entrar na instituição, eu já entrava no "bolinho" de gente desocupada e sem dinheiro que invadia os flippers só pra ver os outros jogarem Street Fighter 2. Devo dizer que esse maldito jogo me desvirtuou: eu era CDF, caxias mesmo. Ficava sempre na cadeira da frente e do meio na sala de aula, só tirava notas maiores que 7, não faltava nem matava as aulas, fazia todos os deveres de casa, não colava nas provas, não sabia o que era dependência ou recuperação.

Foi quando, ao ir pro Martins do Méier em 1991, decidi matar as quase duas horas que sobravam entrando em um fliperama. Foi o início do fim: mesmo quando estava em aula, eu só pensava no maldito jogo. Os desenhos no meu caderno da época denunciavam bem isso. Aliás, foi justamente nessa época que eu comecei a fazer os famosos cineminhas cujo tema era, invariavelmente, aqueles bonecos de palitinho saindo na porrada. Bem, ao menos o ano de 1991 teve um final feliz, com a minha aprovação para a renomada instituição.


Eu já estava de saco cheio de ver o final desses dois


Olhando calmamente agora, e sob um aspecto mais mercadológico, devo dizer que Street Fighter 2 foi um tiro no escuro que acertou em cheio. Era lindo, cheio de vozes, cores e animações, finais diferentes para cada personagem e jogabilidade variada. Uma verdadeira pérola se comparado com os outros jogos da época, porém, baseado em Street Fighter, que não foi exatamente um sucesso. Assim, a Capcom poderia ter investido uma fortuna em uma sequência de sucesso incerto, mas tudo ocorreu bem pra ela. A esperada continuação, por coincidência, só saiu em 1997, quando eu já havia deixado o CEFET, mas não teve o mesmo impacto mercadológico - já que estava acabando a onda dos fliperamas e outros bons jogos de luta foram lançados por outras softhouses - além de não ser tão superior tecnicamente, embora tenha sido um jogo muito bom.

O citado ano foi um divisor de águas na minha vida: Matar as aulas não era mais tão legal. Eu já era um adulto, trabalhava e fazia faculdade (particular, mas faculdade), tinha mais com que me preocupar. Só em 2000 eu pude ter a minha versão gratuita de Street em casa no meu emulador, e assim reviver uma época tão boa, em que eu muitas vezes economizava dinheiro pra comprar fichas. Pouco depois já tinha emprego e estava formado. Street Fighter 2 me desvirtuou, mas não posso me arrepender: no final, tudo deu certo.

Gustavo Moore se divertia com as traduções falsas dos golpes de Street, como "spinning caqui" da Chun Li e "coin coin" do Honda