terça-feira, agosto 31, 2004

E POR FALAR EM EVOLUÇÃO...

Lendo a revista "Hype" deste mês, não pude deixar de notar um artigo falando sobre o ano de 1994. Havia grande destaque para o rock no citado ano, pois surgiam o Oasis, os Raimundos e havia sido lançado o acústico do Nirvana, póstumo de Kurt Cobain - o maior músico da década de 90, foda-se o Renato Russo da década anterior.

É impressionante como aconteceram coisas importantes em anos terminados em 4: em 1914 começava a 1a guerra; em 1954 suicidava-se Getúlio Vargas; em 1964 houve um golpe militar; em 1994 morreu o Senna (não foi traumático pra mim, mas temos que reconhecer que as transmissões esportivas perderam muito da graça de antes) e o Brasil foi tetracampeão com um time medíocre.

Ainda me lembro de como era uma tortura, por exemplo, gravar uma música qualquer: eu colocava uma fita na vitrola, sintonizava o rádio e ficava esperando alguma música decente tocar. às vezes depois de horas de espera, eu podia gravar uma música sem o início (tinha que esperar começar a música para identificá-la), com uma qualidade apenas razoável, muitas vezes com aquelas malditas vinhetas da rádio. Ainda haviam os locutores imbecis que faziam questão de falar antes de a música terminar, de modo que horas de espera iam direto pro ralo, assim como a medalha de ouro do maratonista agarrado pelo maluco em Atenas. Pra piorar, quando se conseguia gravar uma fita inteira (pura questão de sorte, já que a fita sempre acabava no meio de uma música), bastava ouvi-la mais de cinco vezes para que a qualidade da mesma começasse a cair e o som ficasse completamente abafado em menos de um ano. Hoje, com uma boa conexão podemos baixar uma música em alguns minutos com qualidade de CD, sem gastar muito dinheiro em um disco com 12 músicas ruins e apenas uma boa. Agora eu entendo a raiva das gravadoras, afinal, é preciso que o artista tenha muita qualidade pra fazer um CD com muitas músicas boas que justifiquem a compra.

No início da década de 90 era difícil e dispendioso se piratear um CD (ver meu post anterior), a pirataria de LPs só havia emplacado no meio underground e, mesmo que emplacasse no mainstream, já seria muito tarde para aplicá-la naquela época de transição de tecnologias. A única opção mesmo era a heróica, a subversiva, a qubradiça, a mofável e inaudível fita K7.

Falta de qualidade à parte, hoje em dia, com a facilidade de acesso mesmo às gravações mais raras, vivemos um revival de anos 80, em especial das coisas mais trash. Já fui em festas que tocavam, entre os dances e rocks habituais, músicas tipo Gretchen e Balão Mágico, que seriam tremenda mente criticados (inclusive por mim) cinco anos antes. Meu grande medo é que daqui a dez anos haja um revival dos anos 90 e 2000 e que a galera vá ao delírio ao ouvir Kelly Key, Tchan e Padre Marcelo (que por essa época será papa). A Simony vai fazer filmes pornô com o Jairzinho, a Sandy terá seu quinto filho, o Júnior assumirá a masculinidade, deixando todos de queixo caído, o Schwarzenegger será presidente dos Estados Unidos, a Madonna virará freira, o Rodolfo dos Raimundos, pastor e o cara das Casas Bahia alçará vôo em sua carreira em Hollywood. Só espero que até lá o Garotinho não seja nosso presidente. Que Deus nos proteja.

Gustavo Moore daqui a dez anos terá sua foto publicada no Aurélio, junto com o verbete "burro"