segunda-feira, agosto 09, 2004

Ainda sobre a evolução tecnológica...

Não poderia deixar de citar que naquela época a gente ainda entregava trabalhos escolares feitos em papel almaço, com figuras recortadas ou xerocadas e coladas, encadernadas naquelas capas com um grampo que sempre ficava enferrujadasso...

Computadores à época tinham limitação de memória, HD ridiculamente pequeno, só tinha como trocar arquivos por disquetes (afinal nem internet existia), impressoras que levavam horas pra imprimir e saía uma porcaria, softwares com limitações grandiosas em função das limitações do hardware existente.

Com relação a meu trabalho no GIDAT, sobre Laser, o que era "novidade" à época, fibras ópticas, laser de semi-condutor, leitores ópticos, hoje têm às dezenas na casa de quase todo mundo, fora o comércio que hoje praticamente 99% abandonaram aquelas registradoras barulhentas (ainda podemos vê-las em algumas padarias, quase que como relíquias) e agora usam leitores opticos para registrar automaticamente o preço dos produtos, podendo tb com alguma sofisticação promover controle automático do estoque também. Fora que as redes de fibras opticas correm estradas e conectam diversas regiões do país, com uma capacidade elevadíssima de transmissão simultânea.

E para obter uma foto escaneada, a dez anos atrás? Precisávamos ir numa empresa especializada, haviam umas 2 ou 3 na cidade, e pagar uma nota pelo serviço, fora o tempo de espera. Hoje em dia, pode tirar foto diretamente digital, pode escanear uma foto tirada em máquina tradicional, pode captar imagens via web cam e mandar ao vivo... uma evolução infinita...

Os celulares que eram para poucos, pesados e que viviam carregando o tempo todo, hoje possuem bateria que dura até 1 semana e uma infinidade de opções que deixam em segundo plano o objetivo principal, que era conversar.

Para pesquisar um assunto, então? Semanas perdidas em bibliotecas ou mandando cartas para especialistas no tal assunto que você precisava estudar, até conseguir coletar uma pilha de livros dos quais diversos deles estariam obsoletos... Hoje em dia, vai num Google e em segundos milhares de páginas se não te dão a resposta com a dimensão necessária, apontam caminhos para livros ou outras fontes de pesquisa que tenham o conteúdo desejado, num piscar de olhos. A disseminação do conhecimento evoluiu nesses 10 anos muito mais que em toda a humanidade até então, em função da internet e da melhoria das demais mídias existentes.

Na questão dos costumes, pouca coisa melhorou. Se já não precisamos mais pagar 1 milhão de cruzeiros por um lanche, que amanhã poderia estar custando 1,5 milhão, sofremos um certo empobrecimento ao longo desse tempo. Trocar de carro já não é mais tão fácil, pagar despesas básicas como serviços públicos, transporte, saúde e educação tornaram-se caríssimos, consumindo quase tudo que conseguimos ganhar. Arrumar um emprego já não é questão de apenas procurar, e diploma tá muito longe de ser garantia de vida estável. A maioria das carreiras dependem de constante atualização, oferecida em cursos que são mais caros que sua remuneração esperada e que a maioria das empresas não quer bancar pros funcionários.

A violência já era alarmante a 10 anos, com arrastões, muitos seqüestros, assaltos a banco, mas atualmente a situação está mais próximo de guerra civil, com áreas de domínio pleno do tráfico e de impedimento da entrada do Estado constituído (criação de estados paralelos dentro do espaço urbano). A sensação de corrupção é maior atualmente que era a 10 anos, especialmente na esfera estadual, entregue a Rosinhas e Garotinhos da vida. Considerando que nosso governador a 10 anos era Nilo Batista, não houve muita evolução nesse aspecto. A prefeitura só retrocedeu, pois manteve nos 10 anos o mesmo Cesar Maia de sempre, cada vez mais inoperante. No governo federal, se tinha o topete do Itamar e agora se tem a barba do Lula, sem sombra de dúvida uma evolução.

E na sociedade, parece-nos melhor, uma vez que Carlas Perez já não são mais as estrelas do momento, esse ano a maior estrela até agora foi a Juliana Paes, que ao menos é uma atriz com talento (e QUE talento...) Não está sendo um ano em que morreu estrelas como Kurt Cobain, Ayrton Senna e o Mussum (viva o Mussum!), mas sim dos malígnos Brizola e Roberto Marinho, só falta agora o Papa pro mundo ficar perfeito!!!!

Sergio Telles posta pela primeira vez após ter completado 27 anos.

As velhas novidades de outrora...

Quando paro pra pensar nas coisas que considerávamos novas há dez anos, quando éramos meros estudantes do segundo grau, percebo o quanto o tempo passou.

Uma vez eu conversava com o Adriano enquanto a turma esperava no curral para ir pra educação física. Ele me falou a seguinte pérola:

- Pô, eu queria mesmo é um Sega CD... já pensou? jogar num videogame com a potência do mega-drive com a qualidade de CD?
- Mas o CD é muito caro! Será que não dá pra piratear um CD?
- Ah, dá mas não vale a pena... já pensou alguém comprar um leitor laser pra fazer isso? sem falar na memória que esse troço deve gastar! Não vale mesmo!

Dez anos depois, o Mega Drive virou uma relíquia, o CD virou a mídia mais pirateada e o Sega CD, bem, ele não viveu tempo suficiente para pegar o boom da pirataria. Aliás, na época eu soube que o Mimi tinha acesso em sua casa a um micro com CD rom. Eu fiquei maravilhado.

- Cara, como é um programa em CD rom?
- É fantástico! Tem centenas de imagens e opções. O troço consome tanta memória que tem que ficar carregando. Aliás o HD tem menos espaço que um CD!
- Caraca!

E o videocassete então? Na época em que um vídeo 4 cabeças era um luxo, começavam a aparecer os 5 cabeças - simplismente demais! Demais mesmo era apertar a tecla SAP e ouvir os filmes na língua original! Foda é que era só na Globo, onde uma das poucas séries que passavam era o (argh!) Barrados no Baile!

Bem verdade que algumas coisas não evoluíram: de fato o Windows 95 não foi a maravilha que se anunciava, não houve uma explosão nas vendas dos aparelhos de fax e a Vera Fischer ainda é considerada um símbolo sexual. Nós ficávamos loucos com os filmes nacionais cheios de sacanagem que assistíamos na CNT nas madrugadas de segunda (ou sábado, sei lá!) e o Maluf ainda se dá bem nas pesquisas eleitorais. Há dez anos atrás, muito dificilmente o Ratinho ou o Big Brother fariam sucesso. É... infelizmente a evolução tecnológica e a social não andam juntas...


Gustavo Moore, por sorte não tinha dinheiro na época pra comprar um Jaguar (o videogame, não o carro).