quinta-feira, abril 01, 2004

"Ele é um vampiro, não estou brincando!"

Isso aconteceu durante uma aula no segundo ano. Estávamos conversando sobre alguma coisa sem sentido quando o Sandro da meteorologia apareceu. Tentamos inutilmente fugir, mas a presença de tão perturbante criatura criava uma modificação no campo gravitacional terretre, impedindo qualquer ação defensiva a não ser gritar.

Tentamos mudar de assunto, criar qualquer desculpa, mas o mal já estava feito e o Sandro danou-se a falar de RPG. Era mostro não-sei-o-quê que lutou com salamandra e virou lobisomem com magia negra, uma merda de dar gosto...

Ao iniciarmos um novo assunto, tentando de qualquer forma fugir da radiação emitida (que subia deseperadamente para algo em torno de 0.6 Sergíos), começamos a falar mal do MiMi, algo que é muito tentador, certamente ajudaria a cessar a baboseira errepegeniana do Sandro.

Mas aquela mente era realmente poderosa, embora não muito útil. Rapidamente, Sandro iniciou outro assunto sobre RPGs, agora incluindo o MiMi, dizendo que o mesmo tinha sido mordido por um Vampiro, se tornando o mais novo membro do clã de Drácula.

Depois de vários minutos falando sobre mais RPG, notamos que os exemplos agora usados nas histórias pareciam mais reais do que o normal!

Naquela história o mocinho MiMi estava no shopping, algo como o Rio Sul, e sua força vital começou a diminuir, obrigando nosso colega a morder um humano e sugar seu sangue para reaver a energia...

Diante de tamanha loucura, alguem ainda deu trela e perguntou, estupefacto, que diabos de RPG novo era esse que se passava no Rio Sul. Para surpresa de todos, Sando começou a jurar!

- RPG não! É a vida real! MiMi é um vampiro de verdade! - dizia Sandro, um clone misturado do apresentador Bolinha com o Ratinho.

- Tá de sacanagem, essa porra não existe Sandro, tá na sua cabeça! - dizia o Flávio.

- NÃO, vocês não sabem de nada, ele foi mordido! Ele agora é um vampiro de verdade, de VERDADE!!!

- Putz Sandro, pare com esta porra, vampiro é o caralho! - Essa fui eu que disse, me orgulho muito do meu vasto vocabulário.

- É sim, eu ví, no shopping, ele é um vampiro, ele teve que ir ao banheiro para "sugar" energia, estava muito mal! - retrucava Sandro.

- Deve ter almoçado no restaurante bandejão morte-lenta do CEFET, teve que soltar o barrão correndo!

- Mas como ele consegue andar de dia? E ver seu reflexo no espelho? Comer comida com alho? Entrar na igreja? - Perguntava o culto Soneca.

- Isso é apenas lenda, os vampiros conseguem fazer isso sim! - falava Sandro, parecendo ter resposta clara e sensata para tudo...

E até hoje, quando encontramos o MiMi, durante a manhã e no sol, ainda lembramos desta honorável história, com medo de que a mesma seja verdade e que a imortalidade nos distancie de nosso amigo ou que ele resolva, assim como o Michael Jackson, começar a comer criancinhas para reaver sua energia vital!

Mas, graças a deus, nas não muitas vezes em que encontramos o Sandro e perguntamos para ele, depois de muito anos, se ele ainda mantinha esta horripilante história de terrir, digo, terror. Ele sempre nos olhava com cara de desdém (ou de cú com assento) e desconversava.

Juro que quando explodiu aquela história maluca sobre uma moça que tinha sido assassinada por um grupo que jogava RPG, pensei estar o Sandro envolvido nos rituais de magia negra, branca ou colorida... Esse cara era maluco, tudo que ele disse é mentira não é? Ou não?

Adriano Martins Moutinho,
não acredita na história, mas
por via das dúvidas sempre leva
consigo uma adaga +5 com 2
fireballs inclusas, um dente de alho
e uma caixa de leite de caixinha.

segunda-feira, março 29, 2004

O DIA EM QUE ATÉ O SERGIO SE CALOU...

Não, este post não é sobre o Sergio, mas o título pode mostrar a magnitude do impacto que uma declaração pode ter.

Estávamos no feliz ano de 1999. Uma época em que nossos encontros eram bem mais frequentes e quase sempre com quórum, apesar de metade de nós vivermos duros (menos o Garga - como é que você sabe?). Marcamos um encontro em um bar ao lado do Frango Veloz, na Tijuca. Todos conversávamos animados à mesa, sacaneando o Soneca para variar, quando alguém, talvez tentando induzir o sedentário dorminhoco a dizer uma merda, fala: "Não liga não, Soneca: no início dói e é gostoso, depois só é gostoso!!!". Todos na mesa riem, pois a frase foi soltada em tom bem sarcástico, meio que imitando uma bichinha falando. Quando o volume das risadas diminui, a namorada que Fábio Mimi tinha na época soltou: "não dói não!"

(...)

Um silêncio aterrador tomou a mesa...

(...)

Todo o bar parecia ter se calado...

O Sergio se calou.

E novamente a garota manda a pérola, como se ninguém já tivesse ouvido antes: "hein, gente, não dói não!"

Aquilo já era demais! Brasil e Soneca continuaram a fazer os cálculos de seus sistemas caóticos no guardanapo. Adriano perguntou para o garçom se as batatinhas fritas eram cozidas ou grelhadas, eu levei meu copo de bebida à boca para me assegurar que qualquer comentário não saísse (embora realmente não houvesse nada a ser dito) e o Sergio, tão incrédulo quanto nós, CONTINUOU CALADO!!! E Mimi, numa tentativa de resgate de sua dignidade, falou no tom mais baixo possível: "cala boca! cala a boca! hssss..."(apenas explicando: quando Mimi fica nervoso, ele estala as unhas no polegar e solta um silvo semelhante ao de uma cobra. O dia em que mais eu vi ele fazendo isso, foi no já super citado dia da descoberta das cartas românticas).

Depois daquele dia, tudo mudou para nós. Nossa inocência estava finalmente perdida, nossos encontros nunca mais teriam a mesma graça, pois todo e qualquer absurdo que pudesse ser dito foi irremediavelmente superado. Aquele bar foi nosso World Trade Center e aquelas palavras foram devastadoras como um avião terrorista.

Gustavo Moore perdeu toda a fé na humanidade naquele dia.