terça-feira, março 16, 2004

BRUNINHO, O ORDENHADOR

Bruninho era um dos que eu tive mais contato durante o CEFET. Assim como o Paulinho, sumiu do mapa, exceto quando tive um período como colega de turma dele na UFRJ, ainda na Engenharia Civil, mas eu logo larguei aquele troço e acabamos perdendo o contato. Findo seu mestrado, nosso romântico colega sumiu do Rio após terminar um namoro longo de 3 anos com uma coleguinha de lá da UFRJ que eu só via ele arrozando a mulher nos tempos que eu tava por lá, acho que acabou convencendo ela possivelmente por falta de coisa melhor ou de qualquer outra coisa (mais provável).

Dos tempos de CEFET, recebeu o apelido Charlaine, estrategicamente plantado num momento de zoação dele sobre mim (o mesmo ficou sem a menor reação, logo todos o chamavam desta forma e assim ficou ao longo de todo o segundo ano e em parte do terceiro ano também), mas talvez por ser muito comprido e não ter como abreviar (como o caso do Garga) o Bruninho acabou aos poucos perdendo o tal apelidinho que ele "adorava".

Outras belas histórias aconteciam quando ele resolvia demonstrar toda sua idolatria pelo Beto, o Bruninho era o melhor estilo de "paga pau", como dizem os paulistas, ou era uma espécie de Robin do Batman em relação ao Beto, em todos os sentidos, diga-se.

Adorador de leitinho, tinha em seu amigo Beto um fornecedor potencial, todos os dias tinha leite fresco em sua casa pela manhã. De tanto adorar leite, no terceiro ano ele foi agraciado em seu aniversário com um belo banho de leite num banheiro do Bloco E, incluindo logicamente saquinhos de leite C (na época longa-vida ainda era coisa de rico) e ovos recheados com leite produzidos pelo Soneca com sua técnica milenar japonesa, denominada hajasako, de retirar todo o conteúdo do ovo por um minúsculo orifício e depois inserir outro produto (farinha, leite, ou qualquer merda que se pedisse) durante horas. O rapaz adorou e pediu bis.

Outra grande história deste destemido rapaz ocorreu no primeiro ano do CEFET quando se apaixonou perdidamente pela nossa colega Andréia, paixão mal-resolvida, ela só foi se interessar por ele quando ele não queria mais nada com ela. Dois loosers um a fim do outro só podia dar nisso...

No GIDAT Bruninho foi importante, contribuindo muito com sua eficiência e competência, que só era manchada pela certa prepotência e arrogância, que fazia muita gente o olhar com olhos diferentes da realidade. Na verdade, ele era um cara super prestativo, muito inteligente e eficiente, bastante competente, mas era excessivamente filhinho-da-mamãe e isso fazia ele dar umas pisadas na bola terríveis. Logicamente, o tempo o refinou e hoje em dia possivelmente é um baita profissional como o pai dele, um dos familiares de colegas que eu tive mais contato naquele tempo, também era. Sua mãe também era engenheira mas parece que deixou a profissão pra cuidar dele e do irmão, Vítor, este um pouco menos abusado. Sua mãe era um doce de pessoa mas muito superprotetora, deixava o filho meio estragado. Mas ainda acho melhor em excesso do que a falta, com certeza.

Meu contato com Bruninho era bastante forte, fui a um aniversário que ele fez em Maricá onde o pai dele mantinha uma serralheria; neste dia o destaque foi quando eu e o pai dele desmontávamos uma mesa de sinuca e o pai dele tacou um parafuso enorme que raspou a minha cabeça, eu, já muito educado desde aquela época, mandei um "taca na mãe!", por sorte o pai dele é muito gente boa e riu muito daquilo. Cheguei a viajar com o homenageado para Vitória em 94, durante uma SBPC do Campus da UFES, ficando na casa dos primos dele, também muito legais.

Bruninho na FETEC destacou-se não pelas brilhantes participações no Stand do GIDAT, o qual ele ajudou muito projetando o lay-out e os móveis, mas também por aparecer um dia lá com uma loira de "Primeira Divisão" a qual ele apresentou como "amiga" e rolou um papo de quanto de grana a menina topou pra encarar desfilar ao lado dele.

Nas aulas, Bruninho era o aluno mais organizado, o caderninho certinho, letra de moça, jeito de moça e enfim, dava mole pro Beto e quase assumiu sua vocação àquela época, faltando apenas quem topasse encarar. Suas montagens eram sempre muito melhor acabadas que a da maioria, suas plantas de desenho técnico eram sempre referência pra cola e seu jalequinho, sempre novinho e bem passado. Recusava-se a andar de graça como os outros alunos, pois achava "injusto". A gente, da mesma forma, o achava um "otário".

Bem, nosso amigo Bruno Barboza Britto, o Charlaine, se foi para Vitória, onde trabalha na CST, me parece. Deve ter uma vida das mais normais, com aquela cara típica de casa-de-novela, vida monótona, aquelas coisas que podemos imaginar. Certamente deve sentir falta de uns malucos pobres que nem a gente pra levá-lo pra jogar sinucão brabo ou pra comer petisco em Caxias, Abolição ou outro buraco da Região Metropolitana. Em breve, quem sabe a gente não invade Vitória para apurrinhá-lo!

Sergio Telles descobriu um belo local de saída em Alcântara, onde é tudo quase 50% mais barato que no Rio e os pratos são até melhores. Um dia que rolar alguma merda praquelas bandas rola da gente conferir lá.

PERSONAGEM DA SEMANA

BRUNINHO



O CEFET pode ser descrito como, além de uma boa instituição de ensino (pelo menos na nossa época) um espaço democrático onde se encontravam ricos e pobres, negros e brancos, judeus e muçulmanos, carteiros e cachorros, gente normal e o Sergio, ou seja, era uma grande praia.

Bruninho era um dos afortunados que vieram de berço de ouro e comprovariam tal teoria. Tinha as melhores mochilas (trocadas mensalmente, após a terceira lavada), a roupa de grife, tecida por freiras asmáticas dos alpes Indonésios, que faziam seu trabalho semi-escravo de sempre, e etiquetada pela Company (que pela etiqueta cobrava o quíntuplo do valor real da roupa). Tinha todos os apetrechos hi-tech da época, que de tão bons, ainda não estão ultrapassados, tomava a mamadeira todo dia, com leitinho reforçado por farinha láctea baby (ideal para o crescimento).

Deve ter sido muito dura a transição de um provável colégio particular e bom para uma mistureba cultural em que frequentemente faltavam água, luz e professores, mas Bruninho parecia feliz naquele lugar e podemos dizer que se enturmou bem. Mais pro final do curso ele havia deixado de ser o garoto enjoado que costumava ser nos dois primeiros meses e se revelou um cara legal.

A última vez que o vi foi em 99, quando, por um acaso passando pelo CT, na UFRJ, me deparei com ele, que estava fazendo Engenharia Civil (eu acho). Quando eu disse que havia falado recentemente com o Sergio ele apenas disse: "meus pêsames...". Isto talvez nos dê a compreensão de como era querido nosso último homenageado e de como o rapaz estava se tornando sensato.

Esperamos alguns posts sobre o riquinho como o da calculadora que construia gráficos, o que deixava nossos colegas Cléber, Brasil e Soneca terem orgasmos múltiplos, sobre os melados aniversários, sobre as mochilas reviradas e tudo mais que eu não me lembro muito bem. E uma boa semana a todos!

Gustavo Moor' 'stá com uma das t'clas d' s'u micro com d'feito, o qu' faz s'u t'xto ficar quas' imcompr''nsív'l