sexta-feira, fevereiro 20, 2004

CURIOSIDADE DA SEMANA

BETO ODEIA QUÍMICA, QUÍMICA, QUÍMICAAAAA!



Beto fazendo pose no dia da formatura do CEFET, em 1995


Duas histórias mostram que as ligações iônicas de Beto com a química estavam em pleno desequilíbrio lá no CEFET. No primeiro ano, ele todo marrento dizia a todo o tempo "Lá no Salesiano (colégio do figura até a 8ª série) o pessoal adorava ficar molhando um o jaleco do outro na aula de laboratóirio de química, he-he-he, isso é muito maneiro, dá mole só, que eu faço com vocês".

Tempo passa, num dia, explicação da professora Cristina (candidata a vice na chapa da Wilma para eleição do pior professor do CEFET) durante uma aula de laboratório ainda no primeiro ano, de repente escuta-se um barulho de água... quando olhamos para o lado, tava o Tennessee com aquele recipiente que enchia-se de água, e o Beto com uma cara de "me ferrei" todo "mijado" e assim ficou por toda a aula até o final, afinal era obrigatório o uso de jaleco naquela sala. O feitiço, naquele dia, virou-se contra o feiticeiro. Nunca ninguém mais deu aquele mole que o Beto deu naquele dia...

O segundo fato foi um tanto curioso. No segundo ano, a mocréia Cristina era nossa professora de Química, odiava nossa turma, tinha enorme conflito com a gente e adorava dar esporros no Cláudio Esporroboy (apelido inclusive inventado pelo nosso homenageado).

Em uma prova, ou teste, não me lembro mais, ela ferrou a turma inteira. Todo mundo já sabia do resultado previamente, e já tava cagando pra ela, sabíamos que a coisa tinha engrossado e paciência. Eu lembro bem, o Paulinho tirou 3, tava rindo, rasgou a prova e jogou os pedacinhos pra cima que nem carta do sorteio do baú da felicidade, eu tirei 1,5 e ainda tive que dar explicações posteriores pra grossa da professora (nunca vi isso, é problema meu se eu tiro uma nota ruim) e de repente...

"ROBERTO"

Ele levanta, momento de tensão, ele vai lá, pega a prova, retorna pra cadeira sem olhar a nota, quando olha...

CINCO!

Devia tar satisfeito, afinal, poucos tinham atingido tal feito naquela ocasião. Mas não, quando olhamos novamente, escorriam lágrimas pelo rosto do sensível Beto, que nunca tinha levado uma trolha dessas... (e olha que a dele nem foi das maiores). O marrento e sempre alto astral estava lá derretido por causa de uma nota ruim, mesmo que comparativamente ele tinha ido muito bem... Foi uma cena que nos deixou ao mesmo tempo perplexos e morrendo de rir da cara dele, que uns minutos depois já estava menos mal porque o Paulinho quase o fez engolir parte do papel picado da prova do Soneca, que também tinha tirado uns 2 e qualquer negócio e estava p. da vida mas o Paulinho já tinha roubado (pra variar) a prova.

A minha eu guardei por sorte (ou não), aliás um dia vou procurar lá na Ilha meus farrapos de CEFET tenho todas as provas dos 4 anos arquivadas, vou ver se as traças mantiveram algo intacto pra eu escanear e colocar aqui pra vocês darem algumas risadas.

Sergio Marcio Fernandes de Souza Telles repetido 10 vezes em 10 segundos é uma tarefa impossível.
BETO, O PUXA-SACO

Beto jamais precisaria depender de agradar algum professor para passar nas matérias. Suas notas sempre estavam entre as melhores (até em função de um pouco de competitividade que ele tinha) mas mesmo assim algum receio ou trauma de infância o levava a massagear o ego e babar o ovo de boa parte dos professores do CEFET, quase um contra-ponto do jeito debochado e marrento que ele tinha com os outros alunos, sendo sempre um dos que mais zoava com a cara de todo mundo.

Lembro-me uma ocasião em que a professora de matemática (álgebra linear, matrizes) que tínhamos na segunda série (chamava-se Ocarlina, uma espécie de Carolina embaralhada) que nos dava notas em percentuais e quase sempre ferrava as notas nossas, salvas pelo peso 6 da nota da outra parte de Matemática, dada pelo macumbeiro Carlos Augusto - a nota dela tinha peso 4 no total, ou 40%, segundo ela.

Bem, essa professora que era muito rigorosa na correção, aplicava diversos testes que todo mundo se ferrava. Descobrimos (eu e a Cristiane Matsuura) que ela dava o mesmo teste na Edificações, antes do recreio (nossa aula era no quarto tempo, logo em seguida do recreio). Por umas 2 ou 3 vezes, conseguimos pegar o gabarito e distribuíamos para o pessoal, na boca pequena. Mas sabíamos que isso ia dar merda, mas nunca seria merda pra gente, sim pra ela, que estava fazendo algo que é proibido, que é repetir provas em horários distintos. Um dia lá ela descobriu e o Beto teve uma reação totalmente oposta a dos outros alunos, que tavam dando graças quando a tal professora anunciou que não poderia mais dar aula pra gente (afinal, tinha sujado feio pro lado dela). Enquanto todos comemoravam estar livres daqueles percentuais loucos dela e mais esperançosos de não cairem em recuperação, o Beto quase implorava pela permanência da dita-cuja, e me incriminava como se eu tivesse errado (afinal, nada me proibia eu encontrar meus amigos no recreio, oras, sem falar que eu não era o único lá, aliás nesse dia foi meia turma pra lá, o troço já tinha vazado e pessoal "esperto" tipo Leonardo FDP tava fazendo escândalo na porta do Bloco H, que era onde era a tal aula da mocréia pro pessoal de Edificações). Enfim, além da mulher não atender aos apelos emocionados do Beto, ele ficou com cara de bunda perante toda a turma.

Outra professora que ele adorava defender era a Wilma, de Física (essa é inesquecível, certamente concorrendo ao título de pior professora dos nossos 4 anos por lá). Ela inventava de levar umas "transparências de papel crepon", que na verdade eram uns painéis fajutos que ela pendurava e que era um saco, e ele tava lá sempre prestativo. Num belo dia, a mulher cismou para que eu a ajudasse, e eu virei discretamente e falei: "Não sou pago pra isso, então não vou!" e aí o Beto fez aquela cara dele de enfezado e foi lá igual a um trouxa, crente que tava abafando. Ele também estava a defendê-la no dia em que ela me deu zero numa questão em que o gabarito constava a resposta "1/4" e eu coloquei "0,25" (ou seja, a lesma lerda) e tive que ir até no quadro para mostrar pra ela a igualdade dos dois valores (nessas alturas, o Paulinho caía da cadeira de tanto rir, e mais uns 15 que estavam na sala, exceto o Beto, que defendia a professora fria e calculista). Aquela ameba quase me deixa em prova final, sempre tinham uns erros grosseiros de correção na minha prova, era um saco.

Feedback, professora de Português, e Mauro Otto, professor de sistemas de tele-enrolações, eram outros ídolos do mancebo, bem como o Rebouças (esse foi inspiração pro personagem Vera Verão, que viria anos depois). Beto estranhamente nunca entrou pra ABODE (Associação Brasileira de Normas Técnicas) mas acho que foi porque diziam que era coisa de nerd, e ele odiava ser tachado dessa forma, apesar de ter diversas características pra sê-lo.

Num outro momento fantástico do CEFET lembro bem quando eu e o Paulinho estouramos um dos osciloscópios novos que tinham vindo da Rep. Tcheca (afinal, era um local de tecnologia de ponta, de ponta de estoque). O tal Falabella era o professor, um camarada vindo de Manaus e que era meio perdidão, eu e aquele moleque chato estávamos de putaria lá mexendo na parte de multímetro do pobre aparelho e num acidente (o Paulinho virou a chave pra medir tensão e eu tava preparado pra medir corrente, uma coisa assim, nem lembro mais) a "árvore de Natal" como era conhecida apagou geral. O professor nem falou nada, mas o Beto como puxa-saco mór fez questão de denunciarmos e ficar falando horas seguidas, torrando o meu saco e o do Paulinho com um troço besta (descobriu que o problema era um resistor queimado, e isso até alegrou o Prof. Paulinho do almoxarifado, que ganhou algo divertido pra fazer).

Neste último caso, como em todos, as puxa-sacadas do Beto eram totalmente ignoradas pelos professores, até porque ele realmente não precisava de nada disso. Mas que era divertido aquele marrento se curvando ridiculamente a um "superior" como ele fazia, isso era.

Sergio Telles defende tratamento o mais horizontalizado possível, respeita a todos especialmente os inferiores a ele (ou seja, todo mundo).

terça-feira, fevereiro 17, 2004

"The amazing stories..."

Não havia como ficar perto do senhor beto glória negrão de lima sem que o mesmo desdenhasse a contar "causos" e estórias fantásticas, sendo uma das fontes de inspiração para a série de TV "Amazing stories" que passava na época.

O ouvinte mais distraído poderia até pensar que aquele menino de nariz desbotado era, na verdade, um requisitado ator de filme pornô, dublê, atleta, cientista e jogador profissional da NBA (associação brasileira de normas técnicas).

Em suas histórias comia... Digo, se relacionava coloridamente com todas as atrizes e alunas do CEFET. Enfrentava todos com suas idéias revolucionarias e era o rei das enterradas fenomenais, além de matar diversos monstros pré-históricos e criaturas bestiais. Sempre recheava seus contos com detalhes bizarros e dados surpreendentes.

Mas na verdade, no fundo no fundo, com direito a trocadilho, Beto era mais um que não comia ninguém. Apesar da criatividade, suas idéias serviriam apenas para um script de filme B erótico, ou para quadros rápidos do "Acredite, se quiser".

Uma das coisas que surpreendiam no Sr. de Souza Glória era a sua infinita e inconcebível capacidade de ser extremamente tradicionalista quando se tratava de relacionamento com professores, chefes e superiores. Apesar de ter pinta de revolucionário nas suas "amazing stories", de querer mudar o CEFET e o mundo, este rapaz afro-franco-brasileiro era um cara muito na dele, sempre tentando apaziguar brigas, evitar conflitos com os professores, nada de briga.

Era até um pouco medroso, quando o marquizie perguntou para o Lincoln se ele era um bom professor, Beto ficou nervoso e disse para ele algo do tipo - "Voce precisava fazer isso?".

Apesar de não ser tão bom como descrevia suas histórias, poucos têm sua capacidade de relacionamento e de política, sendo também um dos melhores tecnicamente, um dos grandes destaques da nossa turma, que tinha tanta gente boa.

Agora vivendo na França, este inveterado torcedor do Chicago Bulls está reeditando suas "histoires étonnantes" agora em língua francesa, e será, com certeza, bem sucedido, embora possamos ter certeza de que os franceses não vão acreditar em nada.

Adriano Martins Moutinho é
hepta-campeão intergaláctico
de galaga para flipper,
além de técnico e
professor de eletrônica.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

BETO GLÓRIA NO JOGO DA SEDUÇÃO: MUITOS TOCOS, NENHUMA ENTERRADA


Mais uma vez estamos aqui falando de um jogo que emociona e encanta multidões em todo o mundo... não, não é o basquete da NBA, apesar do título parecer. Falemos da adolescência de um esbelto mancebo cefetiano e suas investidas tortuosas e vexaminosas.

Beto era um cara que tirava muita pinta de sagaz, contava que fazia e acontecia, era o ídolo maior do Bruninho e parceiro do Tennessee (a turma do gueto), mas por trás de toda essa máscara estava um rapaz sensível e amoroso, que teve algumas paixões platônicas dentro do CEFET (assim como alguns de nós, dos que não eram completamente assexuados).

Por cerca de 2 anos pelo menos, ele foi a fim de uma menina loirinha de Edificações que era a melhor amiga de uma grande amiga minha, a Carolina (o nome da menina vou manter em sigilo até porque eu não lembro mais). Essa menina loirinha que ele foi apaixonado tinha longos cabelos cacheados, um corpo esbelto de adolescente virando mulher e uma pele branquinha, que no rosto se transformava num festival de espinhas que a tal menina teve que fazer intenso tratamento para depois de muito tempo se livrar desse problema (acho que isso que atraiu a atenção do Beto naquela menina).

Ela morava perto dele (Maria da Graça e Jacaré, bairros vizinhos) e é possível que eles 2 se esbarrassem de vez em quando na condução, bem como dentro do CEFET essa turma de edificações e a nossa tinha muita gente que se falava (eu tinha diversos amigos lá indo inclusive em passeios deles, bem como o Beto e a Cristiane Matsuura).

O resultado desse flerte do Beto não podia ser mais desastroso. Aliás, podia sim. O Gustavo Robocop foi a fim de uma outra amiga da Carolina, que se chamava Andréia (sobrinha do humorista Francisco Milani), o Couve-Flor tomou um fora horrendo na minha frente, eu morri de rir... Bem, ambos pediram pra eu botá-los na fita, eu até tentava, o Beto trocou umas idéias com a menina lá que até curtia o papo dele, até o momento que o mesmo começava a contar aquelas vantagens e histórias de pescador dele que desanimava qualquer moçoila. Bem, que eu me lembre ele tomou uns 3 tocos dela, mas sempre muito educada e discreta (ele ficava bem chateado, a gente só sabia do insucesso por causa da cara dele). Já o Couve-Flor, tomou um coice tão grande que nem falava mais com ninguém da Edificações.

Outra história "amorosa" do Beto ocorreu no quarto ano, quando a Sheila (uma loirinha que tinha na D-ELT e que foi abarangando vertiginosamente, provando que nem toda loira de olho azul é gata) que meio que corria atrás de mim (e eu fugindo do dragão) e ela tinha uma amiguinha, aquela turma do Sweet era cheia de guetos, só quando uma parte da nossa turma foi anexada na deles se criou uma certa coesão num grupo maior de cerca de 10 pessoas, o resto pareciam nômades independentes, as pessoas num se falavam muito umas com as outras, era um ambiente estranho. Bem, essa tal amiguinha era uma menina branquinha, de cabelos compridos castanhos e um sorriso metálico, era simpática porém bem sem sal.

Beto, usando de seu raciocínio poderoso, propôs que eu botasse a tal menina na fita dele, uma vez que a Sheila estaria na minha mão ele cataria a amiguinha lá. Tudo certo (exceto o fato da Sheila não ter passado duma amiga que ia nos shows de metal conosco e que parece que o Flávio Maluco deu uns pegas nela) comecei a falar do Beto pra menina e tal, contei umas histórias, ela parecia interessada...

Meio ansioso, coisa típica daquela nossa idade, Beto meio que se antecipou e decidiu dar um bote, tomou um fora feio exatamente por não deixar a menina revelar uma coisa muito importante: ela tinha um namorado já antigo, de mais de dois anos, e certamente não iria largar o outro lá pra ficar com o Beto, que ficou com cara de bunda novamente.

Para compensar essa fama de looser, Beto Glória contou-nos histórias que pareciam mais trilhas de filmes pornôs, aqueles textos que ficam nas contra-capas desses artigos de primeira necessidade do Soneca, de coleção do Flávio e de assinatura do Adriano. Carnaval em Salvador, altas festas que terminavam numa suruba e outras paradas bizarras...

Pode parecer engraçado, mas a primeira (e única) vez que vi o Beto com mulher foi nas fotos do casamento. Se bem que a gente perdeu o contato esses anos todos, e ele também não me viu com mulher nenhuma... até porque ele não recebeu aquela minha foto com uma ex, a Aline 1 (vai Gustavo, pode zoar).

Sergio Telles ainda assim supera todo mundo em matéria de "quase". Pelo menos, ainda tem a sorte de não ser nem casado muito menos de viver em "união estável".

domingo, fevereiro 15, 2004

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA

Abduções, contatos imediatos, paranormalidade, conspirações intergaláticas, Elvis vivo, Soneca macho... navegando na Internet pode-se encontrar os maiores absurdos de forma tão bem escrita que acabam caindo no imaginário dos incautos como realidade. A plebe rude e ignara precisa de algo acreditável porém fantástico para temperar suas vidinhas ordinárias...
Como sou parte desta plebe, devo dizer que li em um desses sites de astrologia (feito sob medida para otários que acreditam que estando a Lua alinhada com Júpiter, suas vidas amorosas estarão resolvidas) uma história que de fato me impressionou.

Como já publicado em um comentário antigo, Anderson Brasil não é humano. Isso já era sabido e notório, porém, este Brasil que estamos homenageando nesta semana NÃO É O BRASIL!!!!! Na verdade, ele é um clone do ET que retornou para B612, seu planeta natal em 1995. No ano em questão, Brasil forjou uma saída da turma para poder despistar seus antigos colegas enquanto chegava à terra seu atual clone. Voltando ao início:

Nascido presumidamente na década de 70 de um ovo após sua mãe verdadeira ter devorado toda a ninhada, AB teve que se mudar às pressas devido à uma ameaça de peste que se aproximava: a peste do Paulinho!!! Foi deixado na porta de uma casa em São João de Meriti onde, acreditava-se, a civilização demoraria milênios para chegar e saber de seu verdadeiro paradeiro.O critério de escolha do local foi o mesmo dos cariocas:

1- As ruas têm nomes (Rua dos Andradas, Av. Presidente Vargas...) ou números (Rua 34, Rua 27, etc.)? ;
2- As linhas de ônibus tinham mais de três números ou letras indicativas de rota (S-11, M-94, 485 –B, etc.)?;
3- Qual a quantidade de motéis nos arredores?;
4- Quantas vezes por dia passava o carro do jornal “O Povo”? ;
5- Quantas vezes o Brizola, o Garotinho ou o Macello passaram durante a campanha prometendo melhorar a região?

Sendo ainda uma larva, Brasil foi colocado em água limpa e parada onde evoluiria junto com seus amiguinhos Aedes Egypt (espero ter escrito certo), logo se tornaria um girino forte e inteligente. Teve uma infância normal e brincou nas ruas de terra batida com as outras crianças sem problemas: lá todas eram verdinhas, assim como ele, mas de fome. A grande sorte dele foi a de não ter sido comido, graças à sua velocidade de corrida, mesmo sem pernas. Sua próxima etapa evolutiva foi o crescimento de antenas, pois sua televisão pegava muito mal naquele fim-de-mundo, e rodinhas, que na realidade NUNCA tiveram problemas. Este defeito só se apresentou no clone avariado.
Logo, sua mãe adotiva percebeu que AB era muito mais inteligente que as outras crianças. Como teste, resolveu colocá-lo para estudar. No colégio desenvolveu a incrível capacidade de se comunicar em nosso idioma, bastando-se para isto, a introdução de um disco ótico em nosso idioma (bem, ainda não sabemos em que compartimento entrava o disco). O único problema era a rotação, que tendo sido alterada na primeira vez apresentou defeito permanente... mas paciência... pelo menos ele já falava português fluente e com sotaque de Meriti.
Tendo o domínio da língua (no bom sentido), bastou um pouco de estudo para que depois de alguns anos, já evoluído para lango-lango ingressasse no CEFET-RJ. Foi aí que as coisas começaram a mudar. Descobriu que as mazelas que o afastaram de sua terra natal se apresentavam de maneira muito pior aqui na terra. Ele que já conhecia a miséria, a guerra e a fome, passou a conhecer o Sergio. Lutou bravamente para mantê-lo afastado, mas todo o seu esforço parecia estar se esvaindo. Como a peste do Paulinho também se encontrava presente, Brasil decidiu se mudar de volta para a terrinha natal, conhecer suas raízes, seu povo retomar tudo o que havia perdido nos mais de 15 anos de exílio.
Para não levantar suspeitas, AB encomendou à CCE (Associação Brasileira de Normas Técnicas) um clone de última geração, testado e aprovado pelo INMETRO (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e pela ABNT (Sistema Brasileiro de Televisão) que deveria ficar em seu lugar, bem como assumir suas posições, idéias e responsabilidades. Seria uma espécie de ser artificial plástico, assim como os atores de “Malhação”, só que mais convincente.
Enquanto seu clone era construído, Brasil arrumava suas malas e partia de volta a B-612. Lá chegando reencontrou seus entes queridos, que de tão emocionados quase arrancaram suas pinças (AB já passava por mais uma metamorfose e era agora um caranguejo igual aqueles dos comerciais de cerveja). Sabe-se que Brasil ficou tão emocionado ao rever sua mãe que declarou: “temos que respeitar nossas mães. Mãe é que nem coração: só tem três!”. Hoje, o verdadeiro Anderson está casado com uma lacraia mutante que ganha créditos monetários em seu planeta fazendo malabarismo nos sinais (se com dois braços e três bolinhas dá pra faturar um troquinho, imagina com mais de 20 pares de braços!!!). Brasil tem 200 filhos da primeira ninhada e está grávido, esperando a segunda.

Já seu clone terráqueo começou a apresentar defeitos a partir do primeiro mês, como todos os outros produtos CCE (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Ficou mais gordo, perdeu os pêlos do topo da cabeça, ganhando muitos pelo resto do corpo, o que despertou a atenção de um de seus colegas. Foi desmascarado há alguns meses, quando desrespeitando todos os preceitos morais do velho Brasil, arrumou uma mulher humana. Pra piorar, começou a ver séries trash americanas como “Friends” e, o pior de tudo, começou a cursar o doutorado em uma área que não serve pra nada depois do vestibular: a matemática.

A nós só resta o consolo (no bom sentido) de que o verdadeiro Anderson Brasil está num lugar melhor, em que todas as mulheres são consideradas bonitas, arcos-íris em preto-e-branco cruzam os céus e sósias do Soneca e do Edvar andam de mãos dadas ouvindo “It’s Raining Man” nos radinhos de pilha, todos caminhando para a execução diária de sósias do Sergio Telles e do Sergio Mallandro.

Gustavo Moore sonha em ter a beleza do Brasil para um dia poder comer a Angelina Jolie, a Ellen Roche, a Tiazinha e outra milhares de gostosas que AB nunca ouviu falar.


HOMENAGEADO DA SEMANA

BETO




O carnaval está se aproximando e o nosso homenageado é o que mais aproveita essa tal festa, pelo menos é o que consta em uma de suas milhares de Amazing Histories que por anos e anos convivemos.

Beto, que fez 27 anos no dia 27 de janeiro se não me engano, viveu até os 18 anos no bairro do Riachuelo (vulgo Jacaré), onde fez muitas amizades e aprendeu a se quebrar andando de skate, um de seus esportes radicais preferidos. Após o CEFET, onde foi um dos mais brilhantes alunos apesar de quase não assistir as aulas, cursou Engenharia na UNICAMP e teve uns rumos de que o levaram a se casar e ir estudar e trabalhar na França, como ele próprio poderá dizer.

Puxa-saco mór da turma, era defensor convicto de todos os professores, mesmo quando eles estavam redondamente errados. Falava lentamente, parecendo ter um ovo na boca, e se achava sempre o "malandro", apesar de quase sempre se tratar de mais um mané dentre todos os do nosso grupo.

Assim como o Betoni, era um apaixonado por Mecatrônica, e de fato era um dos caras mais brilhantes que tivemos a oportunidade de conhecer lá no CEFET. Especialmente seu nariz, destoava rosado no meio do seu rosto negro, brilhava pra burro... parecia uma das renas do trenó natalino.

Se dizia o rei das enterradas, mas nem alcançava direito a tabela de basquete. Apesar de esguio e parecer muito mais alto que todo mundo, ele tinha apenas uns poucos centímetros a mais e muita lábia, que enganava num primeiro momento, exceto a uns trouxas menos preparados, como o Bruninho, que era um tremendo "paga-pau" do Beto, sempre defendendo seu "amiguinho" fornecedor de leite.

Vira-casaca, torcia para o Botafogo até a final de 1992 (meio do primeiro ano), quando o Botafogo perdeu o Brasileiro pro Flamengo e ele passou a dizer que torcia pro Chicago Bulls, que a partir desse momento nunca mais ganhou nada, de tão pé-frio que era nosso colega Lafond. Por ironia do destino, o Botafogo seria campeão brasileiro exatamente na semana da nossa formatura, dando especialmente a mim, ao Bruninho e à Matsuura (únicos torcedores do Botafogo na turma) um gostinho de "ri melhor quem ri por último".

Beto era um adorador do metal, vivia com uma camisa do Pantera que parecia que ele tava sem camisa, e outra que era com um Greemlin que o pessoal dizia que era daquelas de foto instantânea que se tirava na época só no Barra Shopping (naquele tempo não se tinha 1 shopping em cada bairro como hoje em dia). Chegamos a ir em alguns shows no Imperator com mais uma galera, era muito maneiro...

Em suma, era um dos caras no CEFET que eu tinha mais contato, mas foi um que o tempo fez ele aos poucos se desgarrar da galera, em função de ter saído do Rio e depois do Brasil, agora aparentemente de forma definitiva. Saiu poucas vezes com a galera depois que terminou o técnico, e agora como homem casado será ainda mais difícil comparecer numa das nossas podreiras sociais.

Teremos essa semana todinha para nos lembrarmos do Beto e suas travessuras, sempre aumentadas e contadas com certo tom que pareciam irreais e impossíveis de terem acontecido, além de suas zoações muitas vezes sem noção e sem medida. Conto com a colaboração de todos, para desencavarmos as histórias mais toscas do rapaz.

Sergio Telles queria era falar mal dos professores mas o Adriânus pediu pra avisá-los e só depois fazê-lo.